Posts tagged: protesto

Protestos e Revoluções

By , 23/10/2011 6:05 pm

Esse movimento de Occuppy Wallstreet que começou no centro financeiro de Nova York e se espalhou por várias outras localidades me motivou a escrever esse post. A ideia é classificar o que eu entendo serem os diferentes tipos de protestos:

Por Poder

O mais terrível de todos, mas às vezes um mal necessário. O objetivo é simples: definir quem manda. O que vai determinar se o resultado será positivo ou não é basicamente a nova mão para qual o bastão irá passar.

A África com suas constantes guerras civis tem dezenas de exemplos de fracasso, onde o povo vai as ruas e simplesmente troca um ditador por outro. No Irã de 1979 o povo trocou uma monarquia autocrática por uma teocracia, para melhor ou pior. Se em algum momento o objetivo foi liberdade para o povo isso certamente não foi alcançado.

Para citar algumas revoluções bem sucedidas podemos começar pela Índia de Ganhdi, que através da desobediência civil e protestos pacíficos ajudou a tirar de vez os ingleses das terras do oriente.

Outro bom exemplo é a África do Sul, que conseguiu transacionar de uma terra dividida pelo apartheid a uma democracia governada pelo Morgan Freeman.

O futuro de outros protestos que se tornaram revoluções só o tempo dirá: o que será de Egito e Líbia?
No Brasil o povo foi às ruas para tirar os militares do poder e restaurar a democracia. Mas como diz o subtítulo, esses são protestos por poder, de maneira que os mesmos jovens que lideraram essa revolução ocupam hoje cadeiras no legislativo e executivo. O poder revela as pessoas, e muitos dos que antes lutaram pelo bem coletivo, são os primeiros a enriquecer ilicitamente e legislar em causa própria.

Por Direitos e liberdades

O melhor exemplo é sem dúvida as marchas contra segregação negra nos Estados Unidos (lideradas, entre outros, por Martin Luther King e Malcon X) e os movimentos Gays na Califórnia. Ambos os movimentos reforçaram a democracia dos EUA e reverteram leis preconceituosas. Depois de vencida essa etapa esse tipo de protesto migra para protestos de conscientização (como a Parada Gay de São Paulo).

Atualmente vemos, ainda que tímida, a marcha da maconha tomando forma, na busca de liberdade para os usuários.

Por conscientização

Esse tipo de protesto acontece para todo tipo de causa, já que cada grupo quer espalhar seu ponto de vista para o mundo. Em uma ponta do espectro temos a paraday gay e no outro a Igreja Batista de Westboro que faz protestos em enterros de militares americanos com placas escritas: “Deus odeia os viados”, “Obrigado pela Aids”. Muitas igrejas e congregações fazem todo tipo de marcha para pregar suas crenças e valores.

Parada gay em Varsovia

Por frustração

Esse tipo de protesto pode acontecer por vários motivos, mas o que todos eles têm em comum é o fato de em geral trazerem a tona problemas e reinvindicações, mas não apresentarem claramente nenhuma proposta ou solução.

Esse, a meu ver, é o caso do Ocuppy Wallstreet. Não existe ali uma posição unânime, as pessoas estão reclamando de todo tipo de coisas (eu vi placas contra os Ilumminati e a favor de espécies em extinção) e não sabem exatamente o que querem.

Anti-protestos

Geralmente é um protesto contra outro protesto. Durante minha viagem a Europa eu passei por Varsóvia (capital da Polônia) bem no dia de uma parada gay. Enquanto ela acontecia de um lado da rua, do outro (em uma quantidade infinitamente menor) várias pessoas seguravam cartazes contra homossexuais.

O meu anti-protesto favorito é organizado pela Igreja do Monstro do Spagueti Voador, para avacalhar a pregação homofóbica da Igreja Batista de Westboro: eles simplesmente se infiltram no meio do protesto com cartazes dizendo todo tipo de besteira possível, transformando em piada a passeata da oposição

Bolsonaro, vôlei e o povo brasileiro

By , 07/04/2011 9:07 am

Na semana passada o CQC mostrou uma entrevista na qual o Deputado Bolsonaro deu declarações que muitos passaram a semana todo condenando como homofóbicas e racistas. Não vou entrar no mérito dessa discussão.

O ponto que eu quero ressaltar é o fato de ele ser um deputado eleito que, de fato, representa uma boa parcela da população. Disso eu não tenho a menor dúvida. O assunto que deveria ter chocado todo mundo naquela semana foi outro: a partida de vôlei entre Futuro e Cruzeiro pela Superliga Masculina.

Michael, um dos jogadores da equipe de Araçatuba, que é assumidamente gay, foi alvo de comportamento claramente preconceituoso da torcida adversária. Em entrevista para o Globo Esporte ele deu a seguinte declaração (sublinhado por minha conta):

O que aconteceu exatamente em Contagem? Já tinha passado por uma situação semelhante antes?
- No jogo em Contagem teve uma manifestação da torcida gritando “bicha”, “gay”, todas essas coisas. Já tinha acontecido casos isolados de algumas pessoas gritarem pelo clima do jogo. Mas nem escuto, deixo passar porque é ignorância. Mas foi um coro, senhoras, crianças e mulheres gritando, já num clima preconceituoso mesmo. (…)

Não são as palavras em si que são preconceituosas, mas o contexto em que elas são ditas. Esse é o povo brasileiro. Bolsanaro, portanto, representa muito bem essa gente.  Antes de ficarmos chocados com ele deveríamos ver o que aprendemos e ensinamos em casa, pois são através de piadinhas e comentários “sem maldade” que teriam bem mais graça se não fossem o retrato da nossa ignorância transmitindo a discriminação desde a infância, pois o que as crianças aprendem brincando é nada mais nada menos do que a estupidez se propagando (Pensador, Gabriel ).

O Deputado realmente não está sozinho e provavelmente muitos dos que o criticam (principalmente no Twitter) incidem na mesma falha de moral. Chegou pra mim o link do Tragédia da Empregada mais uma demonstração do que pensa o nosso povo quando acham que não tem ninguém olhando.

Terror e desespero em Porto Alegre

By , 26/02/2011 1:01 pm

Estou muito perturbado e com uma vergonha absurda da minha cidade. Sugiro acompanhar a repercussão direto pelo site da Massa Crítica.

04/06/1989

By , 02/06/2009 11:33 am

“Rara é a felicidade de uma época em que se pode pensar o que se quer e dizer o que se pensa

tia-an-men-simpsons

Praça da Paz Celestial: nesse lugar, em 1989, nada aconteceu

Jaleco do mal

By , 06/05/2009 1:28 pm

Meu colega de trabalho o Sr. Bruno Galera resolveu iniciar uma Jihad contra médicos que almoçam de jaleco e estetoscópio. Decidi me juntar a suas fileiras. Abaixo o e-mail que ele enviou para a administração do Hospital São Lucas (popular Hospital da PUC) na última sexta-feira, 24/04:

Boa tarde,

Gostaria de fazer uma reclamação envolvendo a conduta de funcionários deste hospital.
Freqüentemente, almoço no restaurante Vila Olímpica, no Parque Esportivo da PUC. Em todas as oportunidades, é constrangedor perceber médicos adentrando o recinto trajando seus jalecos e, por incrível que pareça, alguns com seus estetoscópios no pescoço.

O próprio restaurante oferece cabides para os jalecos e emite alertas sobre essa conduta, deixando claro se tratar de uma portaria do Ministério da Saúde. A lei existe, mas a educação e a ética profissional deveriam vir antes à mente destes profissionais que tratam da saúde pública. Instrumentos e vestimentas utilizados na interação e inspeção com pacientes não deveriam sair do espaço físico de consultórios e ou salas de cirurgia.

Como cliente do restaurante e também utilizador dos serviços do hospital São Lucas, gostaria de deixar registrada minha reclamação. Se o hospital não providencia armários para que os médicos deixem seus aparatos de trabalho, que ofereça alternativas e uma campanha de conscientização dos menos educados.

Obrigado,

Bruno Galera
51 xxxx-xxxx

Obviamente ele não recebeu nenhuma resposta até agora, exceto por alguns comentários interessantes em seu Blog. Gostaria de corroborar com algumas fotos jornalísticas/investigativas casuais tiradas com meu celular enquanto eu ia almoçar no restaurante da Vila Olímpica.

jaleco1

Feliz da vida com seu jaleco passando por cima da Ipiranga e do Arroio Dilúvio.

jaleco2

Dentro do restaurante com seu jaleco do mal.

jaleco3

Cabideiro do lado de fora do restaurante para que os médicos/enfermeiras/dentistas/veterinários irresponsáveis possam depositar seus jalecos do mal. Eu não julgo o dono do restaurante, provavelmente eu faria o mesmo, pois ele não deve querer perder a clientela impedindo de entrar todos os “sem noção” que chegam de branco, mas de certo modo ele incentiva o péssimo hábito.

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