Posts tagged: propaganda

Logo

By Antonio, 20/12/2009 2:31 pm

Meu irmão diz que o curso de Publicidade e Propaganda é uma farsa, que qualquer um consegue ser publicitário e fazer suas próprias ações de comunicação, basta ter um pouco de bom senso e estar sóbrio pela manhã.

O que meu irmão não sabe é que é justamente por isso que fazemos quatro anos de faculdade, para desenvolver um pouco de bom senso e aprender a não trabalhar bêbado. A prova de que isso é necessário está em 90% de todas as propagandas e marcas que se vê por ai. A falta de noção do cidadão comum é tão grande e as bobagens que se encontram são tão avassaladoras que só se pode concluir que pelo menos uma das duas características citadas acima está sempre faltando.

Acha que eu estou exagerando? Você quer fazer um logo para uma empresa?

Ao criar um cativante logo para sua empresa, lembre do SMILE :)

Simples, Memorável (fácil de lembrar), Inovador, Livre de implicações sexuais e crimes históricos contra humanidade, Excitante.

E evite a todo custo os erros clássicos:

Erro Clássico #1

Seu primeiro instinto será criar um logo baseado em símbolos tipicamente relacionado ao Nazismo ou ao Terceiro Reich. Tente resistir ao impulso.

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Erro Clássico #2

Esconder uma figura pornográfica no seu logo, apesar de tecnicamente impressionante, talvez seja um pouco prejudicial para os donos do negócio.

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Erro Clássico #3

Durante a fase de brainstorming você irá se deparar com um terrível desafio ao tentar encontrar o ponto certo entre um logo chamativo e algo sexualmente traumatizante para crianças

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Erro Clássico #4

Talvez o erro mais difícil de evitar ao se desenvolver um logo. Apesar de divertido de desenhar, um pênis poder ser extremamente chamativo quando mostrado junto com duas bolas ou ejaculando junto ao nome de sua empresa.

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Uma mão enquadrando uma vagina então, nem se fala.

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Criatividade

Um bom exemplo do quão criativas são as pessoas está contido no Blog Postare, que mostra como um pouquinho de italiano leva longe aqueles que acham uma faculdade de comunicação é bobagem.

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Cor

Em se tratando de cor para logos e marcas podemos notar que mesmo os profissionais que pregam a criatividade como uma das mais importantes características de um bom profissional de comunicação acabam por encontrar um pouco de lugar comum no azul, como mostra o interessantíssimo estudo abaixo.

Empresas gastam milhões para tentar se diferenciar uma da outra, apesar disso o azul parece ser o novo preto e todos querem estar na moda.

Empresas gastam milhões para tentar se diferenciar uma da outra, apesar disso, o azul parece ser o novo preto e todos querem estar na moda.

Contraste

Se você combinar azul com laranja então, teremos o fim.

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Fracasso Gremista

By Antonio, 22/09/2009 4:53 pm

Sou Gremista e como torcedor estou decepcionado com a linha criativa escolhida para nova campanha do Grêmio feita para formar um cadastro de sócios e torcedores. O nome dado a campanha é “Exército Gremista”. Em minha opinião, uma escolha totalmente contraproducente.

A analogia mais óbvia de exército é guerra, o oposto de paz. Parece-me leviano que depois de todos os incidentes (banheiros químicos incendiados, por exemplo) e investimentos do governo em ações como a proibição de bebidas alcoólicas em estádios, sob o argumento de melhorar a segurança, venha a se utilizar em publicidade justamente uma linguagem que suscita um espírito de rivalidade ligado à violência.

Estou decepcionado.

É meio Nerd da minha parte, mas se vocês olharem com cuidado, vão perceber que o torcedor berrando no meio da imagem (que não é o Tcheco), está numa posição muito semelhante a um Orc entrando em berserker. Confiram:

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Novo sinal da insanidade

By Antonio, 10/09/2009 6:40 pm

Ninguém discute que a preferência deve ser sempre ao ser humano e não à máquina. Todos os carros deveriam parar sempre que um pedestre quisesse atravessar a rua. Para tentar ordenar o trânsito, se decidiu criar as faixas de pedestres, para que as pessoas atravessassem todas no mesmo lugar e para que o motorista pudesse ao longe visualizar tal ponto, de maneira a estar preparado para dar passagem caso alguém se postasse em posição para cruzar a rua.

Em Porto Alegre nada disso é o suficiente, as pessoas aqui são simplesmente mal educadas. No intuito de tentar educar a população, a prefeitura resolveu lançar uma campanha que, apesar de bem intencionada, é no fim das contas, no mínimo, risível.


A mensagem é a seguinte: apesar de existir uma faixa de pedestres gigante pintada de branco no chão, as pessoas devem avisar o motorista que querem atravessar, como se ficar parado, posicionado e olhando para o outro lado não fosse o suficiente.

Eu sinceramente espero que essa campanha ajude de alguma maneira as pessoas a se conscientizarem (vale também para os pedestres que atravessam fora da faixa porque têm preguiça de caminhar mais 5 metros até a mais próxima).

Prevejo os seguintes eventos:

  • Após atropelar uma pessoa na faixa de segurança, o motorista vai alegar que não parou porque ninguém levantou a mão.
  • Teremos alguns pedestres kamikazes que irão levantar a mão acreditando que magicamente isso fará as pessoas serem educadas e irão suicidamente atravessar no meio de carros em alta velocidade.
  • Alguém vai quebrar ou perder o braço ao tentar fazer sinal pouco antes de passar um ônibus ou lotação.
  • Alguns vão achar que isso é lei e farão como no comercial, se o pedestre não levantar a mão não vão parar.
  • Taxistas e motoristas de lotação enfurecidos, pois não sabem se as pessoas querem carona ou querem atravessar a rua.
  • As pessoas vão continuar mal educadas, porque educação se aprende em casa e não na rua.

Por um Punhado de Dólares

By Antonio, 01/09/2009 1:38 pm

Lembro que na minha primeira aula de mídia na faculdade de Publicidade eu me apavorei com os valores de veiculação de propagandas na TV e em algumas revistas. Uma inserção no Jornal Nacional não sai por um valor com menos de seis dígitos. Uma página na revista Veja, mais de R$200.000,00.

Apesar de espantoso a primeira vista, o cálculo é bem justo e simples. Tudo gira em torno da audiência, da quantidade de pessoas que irão ver o anúncio e de quanto segmentado é esse público. Quanto mais pessoas lêem a sua revista ou assistem a seu programa e quanto mais específico for o perfil dessas pessoas, mais você pode cobrar.

Em Porto Alegre, por exemplo, temos revistas como a Void e a Noise (aliás, eu nunca sei qual é qual), que são distribuídas gratuitamente em universidades, bares e academias. Atingem um público bem segmentado e por isso conseguem se sustentar só com as propagandas.

Levando tudo isso em consideração, eu sempre vi os Blogs como uma área inexplorada, cheia de potencial, na qual com custos relativamente baixos poderia se atingir um público muito bem segmentado. Um dos principais probloggers a se manifestar a esse respeito sempre foi Cardoso, do blog Contraditorum. Segue um exemplo:

Publieditoriais. Quem lê meu midia kit sabe que um post pago aqui  começa em R$500,00. A maioria dos blogs faz por R$150,00, que virou a esmola o preço-padrão.

Pegue a Veja. Escolha uma página aleatória. Página ímpar, são as mais visadas. Está vendo a propaganda? Pois bem: UMA página determinada, na Veja custa R$280.800,00 (fonte). Com esse mesmo dinheiro você publica publieditoriais em 1872 blogs.

Se formos usar como referência um anúncio de  2a Capa + Página 3, que dá a página dupla mais nobre da revista, o preço de tabela sobe para R$580.400,00.

Dá para anunciar em 3689 blogs.

UMA revista. UMA página é suficiente para bancar a maior campanha da história da blogosfera brasileira.

É um bom ponto. E existem vários outros argumentos que demonstram o quanto os blogs são escanteados em qualquer ação de mídia, sendo muitas vezes usados apenas para preencher os restos de verbas.

Seria uma grande miopia das empresas e agências de publicidade?

Talvez não. A impressão que eu tenho é que os blogs são veículos imaturos e que o nome probloggers talvez não seja o mais adequado para designar aqueles que vivem de escrever em seus blogs, porque “pro” remete a profissionalismo e isso eles ainda não têm.

Sem profissionalismo não se tem credibilidade, sem credibilidade não se tem confiança e eu acho que a economia de se veicular propagandas em um blog, pode não valer o custo que essa parceria pode trazer para sua marca.

Vou reproduzir um pedaço de um post do Blog Hoje é um Bom Dia que ilustra bem isso:

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O texto acima é um anúncio publicitário veiculada no blog de uma renomada personalidade do meio blogueiro. A mesma personalidade que, poucos meses atrás, tomou as dores de alguém e declarou um boicote contra a marca que agora o paga trocados pra engolir as próprias palavras.

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Talvez por isso o outro blog se chame Contraditoruim.

Enfim, se você gostou desse post, por favor, clique em alguma das minhas propagandas do adsense ou compre um produto pelos meus programas de afiliados. Eu também me vendo por pouco.

Postscript: Até o Lucas Celebridade está fazendo post pago. A empresa? Banca Sampagode de Celular. (via trasel e leandromp)

Atitude

By Antonio, 08/08/2009 9:40 pm

Algumas propagandas ajudam a entender porque não se vê ninguém com tatuagens da Honda ou da Suzuki por ai:

Regulamentando a Publicidade

By Antonio, 28/06/2009 2:19 pm

Começou com as proibições às propagandas de cigarro nas mídias de massa. Agora o cerco fecha sobre os medicamentos e promoções envolvendo brinquedos em lanchonetes de fast food. Acho que a discussão é válida e espero que ela seja ampla, pois toda proibição começa como uma mera preocupação com a saúde do consumidor, mas pode terminar com um controle quase policial sobre o que pode ou não ser dito, indo em direção a um estado policial, inibindo todo tipo de estranheza e arte.
É óbvio que não deve existir liberdade sem responsabilidade, é muito fácil vender um produto ou ideia quando se tem muito dinheiro envolvido (vide a indústria do fast food, remédios e cigarros). Não podemos também querer ser paternalistas a ponto de acreditarmos que as pessoas são tábulas-rasas, sem capacidade de discernimento e que irão comprar Coca-Cola e pipoca porque “piscou” nos frames do filme no cinema.

Pra quem acha que a publicidade de hoje é totalmente sem escrúpulos, que tal darmos uma olhada no que se fazia antes:

words_failsevenup

santa_smokingmulhertigre

killawomancammels

Em compensação, vale à pena dar uma olhada em bons anúncios que foram banidos simplesmente em razão de um grupo conservador não concordar. Não gostou, não compre o produto, mas não censurem as ideias:

hittlerperfume

attractionsalto

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Ode à publicidade.

By Antonio, 31/05/2009 8:46 pm

Dizem que a primeira profissão do mundo foi a de prostituta. Se isso for verdade, então a segunda profissão foi a de publicitário, porque também nasceu ali a necessidade de se vender um serviço, comunicar aos futuros clientes.

Necessidade. Essa palavrinha foi alvo de muitas discussões enquanto eu cursava PP (Publicidade e propaganda e não Pó e Putas). Muitos dizem que a propaganda cria necessidades nas pessoas, mas eu discordo. Acho que as necessidades humanas são as mesmas há milhares de anos. O que a publicidade faz é simplesmente canalizar essa necessidade em direção a uma solução que possa supri-la. Geralmente a do solucionador que paga a conta.

Já posso até ouvir alguém no fundo da sala dizendo: “aaaaa, mas antigamente ninguém tinha necessidade de um tênis Nike ou um Ipod e hoje tem gente matando por isso”. Esse tipo de pergunta demonstra apenas que as pessoas não entendem quais são as reais necessidades. Quando um cidadão compra um Nike (ou qualquer produto de luxo ou “da moda”) ele não está suprindo a necessidade de ter aquele bem específico, ele está suprindo a milenar necessidade de se enquadrar no grupo social em que ele está inserido. Pode parecer bobagem, mas há milhares de anos, no meio da selva, ser ignorado pela tribo e cair no ostracismo significava não ter ninguém para lhe ajudar a se proteger quando, digamos, uma onça ou um dinossauro atacasse. A necessidade sempre existiu, foi perpetuada durante milhares de anos e hoje continua de modo que a propaganda ajuda (nem sempre da maneira mais ética) a encontrarmos as soluções para nossas reais necessidades.

O primeiro livro que eu li sobre o mundo da PP foi “Criação sem pistolão” de Carlos Domingos. Minha mãe me deu esse livro depois que eu passei no vestibular. Na epigrafe de seu livro ele escreve uma constatação simples, mas genial:

“(…) Dizem que a máquina vai substituir o homem.

Mas nunca um criador publicitário.

Afinal, uma maquina não recebeu presente chato da tia,

não teve frieira no pé, não ficou excitado de sunga, nunca teve

vergonha do peito pequeno Uma maquina não vive.

E vida é a matéria-prima da propaganda.”

Por tudo que se fala mal da publicidade e do capitalismo, eu faço deste post uma homenagem a segunda profissão mais antiga do mundo, com a certeza de que ela nunca vai desaparecer enquanto existir pelo menos duas pessoas no planeta.

Sites legais: Brainstorm9, Desencannes, Piores Briefings do Mundo.

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