Coisas bizarras acontecem em Porto Alegre, algumas que desafiam a lógica e o bom senso. A tendência de governo tem sido a de legalizar o banditismo. A primeira grande medida foi a remoção do camelódromo, que ao invés de ser simplesmente obliterado, visto ser prática ilegal (produtos falsificados, procedência duvidosa, sem nota), foi transferido para um prédio esquisito batizado de Camelódromo Aéreo (AKA Shopping do Porto, AKA Shopping Popular).
O interessante é que foi com o imposto que eu paguei que a Prefeitura construiu esse empreendimento que legitima a comercialização de produtos frios e falsificados.
Não satisfeita, a Prefeitura resolveu legalizar os flanelinhas (“guardadores de carros”).
Eles revisitam uma clássica prática mafiosa: o serviço de proteção. Paga-se para ser protegido deles mesmos. Os fatos não me deixam mentir, fica clara a total má intenção por parte dos achacadores, principalmente antes de jogos de futebol, teatros e shows. Eles cobram adiantado (talvez com medo que você dê um calote e não pague pelo “serviço” que eles te prestam) e muitas vezes (leia-se todas as vezes) não estão presentes protegendo seu patrimônio quando você volta. E se você não pagar, seu carro provavelmente sofrerá um acidente em forma de risco de pára-choque a pára-choque.
Vejamos o que as autoridades que deviam nos proteger têm a declarar, sobre esse serviço que deveria, em uma sociedade ordeira e civilizada, ser no mínimo redundante:
Eu faço questão de não dar gorjeta. Faço questão de não ser importunado cada vez que paro meu carro. Faço questão de ver meu imposto sendo usado na segurança pública e não no incentivo à malandragem.
Pra terminar, eu aposto que na próxima campanha eleitoral o governo vai acrescentar nos seus números esses flanelinhas quando divulgar a quantidade de empregos criados durante a gestão.
Assistam o excelente documentário “BEM CUIDADO”, Produzido por Debora Santini, Laura Heemann, Raquel Rodrigues e Rosana Reischak. Junho de 2005:
No último final de semana eu almocei provavelmente na melhor churrascaria de Porto Alegre, a Porto Alegrense. Conclui algo que deveria ser óbvio para qualquer amante de carnes: churrascarias a la carte são muito superiores a rodízios (popular espeto corrido).
A primeira vista um rodízio pode parecer interessante: muita variedade de carne, não é necessário esperar nada para começar a comer e, muitas vezes, nos enganamos achando que elas tem um maior custo x beneficio.
Esquecemos, porém, que no espeto corrido a carne precisa estar pronta muito antes dos fregueses chegarem. Além disso, a cada viagem do garçom a carne volta ao fogo, ressecando e perdendo sua maciez. Grandes rodízios perdem todo seu valor artesanal, pois tentam ganhar no volume de maneira que somos distraídos do motivo principal de uma churrascaria (a carne) e atraídos por chamarizes secundários, como outros pratos quentes, saladas exóticas e coisas abomináveis como sushi (geralmente de baixa qualidade).
Uma churrascaria deve ter poucos lugares, uma salada básica e um cardápio enxuto. Se os assadores forem honestos, então o sucesso é garantido. Quando você prova uma picanha ou uma costela macia e suculenta, você não sentirá nenhuma falta de 500 garçons lhe azucrinando (e impossibilitando qualquer diálogo à mesa) perguntando se você quer javali com amora ou cupim.
Rodízio é bom só para levar gringos e turistas. Churrascarias de caráter não aceitam cartão de crédito, você paga com dinheiro ou cheque e na saída fala com o dono, coisa artesanal, de quem está preocupado com a qualidade e não com a quantidade.