Posts tagged: poesia

Poesia N° 6

By Antonio, 24/08/2009 9:46 pm

Três Poemas da Solidão – Fernanda de Castro

I

Nem aqui nem ali: em parte alguma.
Não é este ou aquele o meu lugar.
Desço à praia, mergulho as mãos no mar,
mas do mar, nos meus dedos, fica a espuma.

Meu jardim, minha cerca, meu pomar.
Perpassa a Ideia e mói, como verruma.
Falar mas para quê? Só por falar?
Já nada quer dizer coisa nenhuma.

Os instintos à solta, como feras,
e eu a pensar em velhas primaveras,
no antigo sortilégio das palavras.

Agora é tudo igual, prazer e dor,
e a tua sementeira não dá flor,
ó triste solidão que as almas lavras.

Três Poemas da Solidão

Poesia N° 5

By Antonio, 16/08/2009 11:42 pm

Self Pity – D.H. Lawrence

I never saw a wild thing
sorry for itself.
A small bird will drop frozen dead from a bough
without ever having felt sorry for itself.

Poesia N° 4

By Antonio, 06/07/2009 4:01 pm

Ilusões de Vida – Francisco Otaviano

Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem – não foi homem,
Só passou pela vida – não viveu.

Poesia n°3

By Antonio, 29/06/2009 8:01 am

Vou-me Embora pra Pasárgada – Manuel Bandeira

-

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

-

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

-

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

-

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

-

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

Poesia n°2

By Antonio, 22/06/2009 10:45 pm

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos – Mario Quintana

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim…
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir…
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas… e que estão escritas
do lado de fora do papel… Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia…
como
uma pobre lanterna que incendiou!

Poesia n°1

By Antonio, 15/06/2009 1:21 pm

O Ciúme – Guilherme de Almeida

Minha melhor lembrança é esse instante no qual
Pela primeira vez me entrou pela retina
Tua silhueta provocante e fina
Como um punhal.

Depois, passaste a ser unicamente aquela
Que a gente se habitua a achar apenas bela
E que é quase banal.

E agora que te tenho em minhas mãos e sei
Que os teus nervos se enfeixam todos em meus dedos
Que os teus sentidos são cinco brinquedos
Com que brinquei;

Agora, que não mais me és inédita, agora
Que compreendo que tal como te vira outrora
Nunca mais te verei;

Agora que de ti, por muito que me dês,
Já não me podes dar a impressão que me deste,
A primeira impressão que me fizeste,
Louco, talvez,

Tenho ciúme de quem não te conhece ainda
E, cedo ou tarde, te verá, pálida e linda pela primeira vez.

Uma campanha que vale a pena.

By Antonio, 12/06/2009 10:16 am

Tive um professor na faculdade que fazia uma campanha que valia a pena. Ele pedia duas coisas: primeiro que as pessoas respeitassem o silêncio no cinema, do casal que não cala a boca até aquela pessoa que insiste eu chupar o canudinho da coca cola que acabou, na vã esperança de que o gelo vire refrigerante. Segundo, ele pedia que as pessoas lessem mais poesia.

Acho que esse é o tipo de campanha que realmente vale a pena, pois são nas pequenas atitudes que criamos os alicerces morais em nossas vidas. Decidi fazer minha parte e sempre que vejo alguém sem noção no cinema (atendendo ao celular ou botando o papo em dia) faço questão de ser o primeiro a insultá-lo.

A partir de hoje, começarei a postar todas as segundas-feiras poesias aqui no Blog. Faça sua parte, lendo de vez em quando, divulgando a campanha e constrangendo os babacas no cinema.

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