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Road Movie

By Antonio, 11/03/2010 10:30 pm

Um dos meus gêneros favoritos de filme é o Road Movie. A Wikipédia fornece a seguinte definição (traduzida livremente por mim):

O gênero tem suas raízes nos contos falados e escritos de viagens épicas, como a Odisséia e a Ilíada. O Road Movie geralmente é uma espécie de história em que o herói muda, cresce e evolui ao longo da história. Os Road Movies são para os cineastas de hoje o que as jornadas épicas foram para os escritores medievais.

Assim como seus antecedentes, o Road Movie tende para uma estrutura episódica. Em cada episódio, há um desafio a ser cumpridos, embora nem todas elas sejam cumpridas com êxito. Na maioria dos episódios, um pedaço da trama é revelado – o conhecimento ou aliados são ganhos, e assim por diante. Às vezes, esse progresso é invertido e cada episódio representa uma perda ao invés de um ganho.

Road Movies tradicionalmente tem o final em uma das cinco formas:

  • Tendo triunfado ao chegar a seu destino final, o protagonista de regressa a casa, mais sábio graça as suas experiências.
  • No final da jornada, o protagonista encontra um novo lar.
  • A viagem continua indefinidamente.
  • Tendo em conta que, como resultado de sua viagem eles nunca podem ir para casa, os protagonistas escolhem a morte ou são mortos.
  • O filme termina sem muita explicação ou o final é aberto.

Eu, porém, tenho uma objeção à definição acima, pois para mim o protagonista deve sempre morrer no final.

Terminada a viagem, com os olhos abertos para a realidade o protagonista terá sempre atingido o objetivo da vida, aprender. A partir do momento em que a pessoa enxerga o mundo de olhos abertos e toma consciência de seu papel na sociedade, ela automaticamente se torna um “outcast”. Alguém à margem da sociedade, entendendo dos vícios necessários para vida coletiva, sempre decidirá não tomar mais parte nesse mundo e irá partir.

É fácil entender a minha fascinação por esse tipo de história, afinal esse é o gênero dos contadores de historias e trovadores. Como no filme Big Fish, tento fazer da minha vida, ou talvez simplesmente enxergar ela como uma aventura épica.

Cada lugar que vou e cada pessoa que conheço são apenas mais uma etapa em uma jornada em direção ao meu autoconhecimento. Minhas melhores histórias são, sem dúvida, as lembranças de pequenos fragmentos da minha vida.

A inevitabilidade da morte

By Antonio, 10/05/2009 10:36 pm

Ontem à noite enquanto jogava joguinhos no meu computador eu finalmente consegui compreender o que incomoda e consterna as pessoas em relação à morte. Sua inevitabilidade.

Desde que nascemos começamos nessa caminhada rumo ao fim, que apressada ou postergada encontra sempre o mesmo desfecho. Morte. Inevitável.

Para provar meu ponto, vou conduzir um pequeno exercício filosófico.

Imagine qual seria o posicionamento das pessoas se pudessem morrer e voltar instantaneamente.

Isso acontece exatamente desta maneira em um dos meus jogos favoritos o Team Fortress 2. Nesse jogo online de combate, os jogadores (todos controlados por pessoas reais), são divididos em dois times de soldados com o objetivo de dominar território inimigo. Durante a batalha sempre que um jogador morre, ele instantaneamente ressuscita no início do campo de batalha, geralmente sem nenhum tipo de penalização, podendo morrer infinitas vezes.

É de se imaginar que a morte (virtual, do personagem) não deveria trazer frustração ao jogador. Contrário a esse raciocínio, os desenvolvedores do jogo perceberam (através de pesquisas e análise de comportamento) que duas situações em que a morte ocorria eram especialmente desagradáveis para os jogadores:

1) Quando o jogador é abatido sem saber quem foi seu algoz. “De onde saiu esse tiro”.

2) Quando o jogador é morto por um oponente que ele não está combatendo diretamente. EX: “A” luta contra “B”, enquanto isso “C”, que não estava engajado com o combate, mata o “A”. “A” fica frustrado.

O que essas situações têm em comum? A sensação de inevitabilidade.

Na situação 1, a morte acontece sem aprendizado, visto que o jogador não compreende as circunstâncias de sua morte e nada pode fazer para que a mesma não volte a se repetir. Uma morte inútil.

No segundo caso, há interferência de uma força externa (como os acidentes e fatalidades que acontecem em nossas vidas). Por não estar engajado contra o terceiro adversário, o jogador estava fora de condições de evitar o acontecido. Inevitável.

Os desenvolvedores do jogo tomaram duas medidas para minimizar esses problemas. Para o caso 1 eles colocaram a “freeze cam”. Quando morto, a câmera (tele do jogador) automaticamente mostra o posicionamento do oponente que o derrubou, dando ao jogador a chance de sempre poder aprender com a sua morte, evitando que aquilo se repita eternamente.

Para resolver o segundo problema, foram retiradas armas de lançamento (granadas) e o poder dos famigerados franco-atiradores (snipers) foi limitado, obrigando o engajamento direto de maneira mais constante.

Resultado: menos frustração. Menos pessoas desistindo de jogar. Mais lucros.

Infelizmente nenhuma dessas técnicas são possíveis na vida real. Não ganhamos uma segunda chance e não estamos salvos de agentes terceiros. Resta-nos fazer certo de primeira e aproveitar ao máximo enquanto estamos aqui. Aceitar a inevitabilidade é livrar a morte de todo o seu peso.

Memento mori.

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