Andar e bater
Eu tive o auge da minha infância na década de 90, fiz parte de uma geração que foi criada na frente do vídeo-game. Além dos consoles caseiros, eu sempre fui vidrado em fliperamas, que na época eram alimentados por fichas, que não poderiam nunca custar mais de 50 centavos.
Quando eu e meu irmão éramos obrigados a acompanhar minha mãe em um shopping center, havia só uma pergunta relevante: tem fliperama lá? Se a resposta fosse afirmativa, então eu e meu irmão iríamos de bom grado e poderíamos ficar por lá o tempo que minha mãe desejasse, permitindo que ela fizesse compras sossegada. Se a resposta fosse negativa, então eu e meu irmão seríamos os mais inconvenientes possível, para retornamos o quanto antes para casa.
O fliperama sempre teve para mim um diferencial grande em relação aos consoles caseiros. Além da grande diferença de gráficos, que na época não permitia que nenhum vídeo-game chegasse aos pés de um fliperama, havia a mística das fichinhas. Uma partida com fichinha tinha um sabor especial, pois era como uma aposta, se você perdesse, a máquina levaria seu dinheiro e sua vida. O único jeito de fazer seu dinheiro valer a pena era vencendo a máquina (ou o outro jogador). Não se joga fliperama com a displicência que se joga um Mega Drive ou um Super Nes, nos quais sabemos ter continues infinitos e não precisamos desembolsar mais grana para repor as fichinhas perdidas.
Eu não gostava de perder, e não perdia, sempre fui um grande jogador, não só por ter a habilidade nata da minha geração, mas por ter certo orgulho e não gostar de perder fichinhas.
Dentre os gêneros de jogos, o meu preferido sempre foi os de “andar e bater”, imortalizado em clássicos como Tartaruga Ninjas, Double Dragon, Simpsons e X-Men. Para mim, o jogo que melhor representava essa categoria se chamava Vendetta. Enredo simples, sem frescura, jogabilidade excelente, gráficos bons, permitia quatro jogadores. Diversão garantida, era só andar e bater.
O filme The Protector tem uma cena de luta sensacional (filmada em apenas um take) que ilustra mais ou menos como um jogo de “andar e bater” seria, caso fosse transportado para a vida real. Foram necessárias cinco tentativas e um mês de gravação para conseguir filmá-la. O resultado final é excelente e, com certeza, vale uma fichinha.









