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Se debatendo na internet

By , 13/06/2010 11:13 pm

Então você está gostando dessa coisa chamada internet e resolveu entrar em algum fórum ou rede social para debater um assunto que lhe interessa. Talvez você queira postar algo sobre um tópico polêmico como religião, política, futebol ou vegetarianismo.

Apesar de ser praticamente impossível se preparar para a infinidade de desdobramentos possíveis, um pouco de teoria sobre a babaquice humana permite prever algumas das situações com que você certamente irá se deparar.

Lei de Poe

É uma ironia sobre comportamento em debates na internet que estabelece que:

Sem uma “carinha feliz” (emoticon) ou outra óbvia exibição de humor, é impossível criar uma paródia de fundamentalismo (religioso, normalmente) que alguém não vai confundir com um argumento verdadeiro.

A Lei de Godwin

Ela diz que:

À medida que uma discussão na internet cresce, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Hitler ou nazistas aproxima-se de 1 (100%).

Efeito Dunning-Kruger

É o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados.

Ignorância, com mais freqüência do que o conhecimento, gera confiança.

Eles propuseram as seguintes hipóteses, dada uma habilidade típica que humanos possam possuir em maior ou menor grau:

1. Indivíduos incompetentes tendem a superestimar seu próprio nível de habilidade,
2. Indivíduos incompetentes não reconhecem habilidade genuína em outros,
3. Indivíduos incompetentes não reconhecem o grau extremo de sua inadequação,
4. Se treinados substancialmente para melhorar seu nível de habilidade, estes indivíduos serão capazes de reconhecer e admitir sua prévia falta de habilidade.

O pombo enxadrista

Esse conceito psicológico foi criado na internet como uma ironia especialmente relacionada com debates sobre a questão Criacionismo versus Teoria da Evolução dos seres vivos, mas é expandível seu uso como um comportamento em qualquer debate. É usado para descrever o comportamento de um dos lados em uma discussão, onde um lado (invariavelmente o menos provido de referências e embasamento técnico-científico, ou formalismo), sem mais contra-argumentos age com infantilidade, seu comportamento sendo descrito pela seguinte frase:

Discutir com ‘fulano’ é o mesmo que jogar xadrez com um pombo, ele defeca no tabuleiro, derruba as peças e sai voando cantando vitória.

O Teorema do macaco infinito

Ele afirma que um macaco digitando aleatoriamente em um teclado por um infinito espaço de tempo irá quase certamente criar um texto qualquer escolhido, como por exemplo a obra completa de William Shakespeare.

Inicialmente usado pelos criacionistas para refutar a possibilidade do ser humano ter se originado por puro acaso (o que é uma total distorção do argumento original). Hoje esse argumento pode ser visto na boca de milhares de pessoas que não entendem de probabilidade e aleatoriedade.

Reductio ad absurdum

É um tipo de argumento lógico no qual alguém assume uma asserção para a causa de um argumento que deriva de uma consequência absurda ou ridícula, e então conclui que a suposição original deve estar errada, o que conduz a um resultado irracional.

Trocando em miúdos para quem não entende de lógica formal é algo mais ou menos assim: se usa um argumento absurdo, exagerado ou totalmente irreal para se invalidar um argumento válido feito por seu adversário.

Defesa Chewbacca

Quando a estratégia do Reductio ad absurdum fracassa é sempre possivel apelar para a Defesa Chewbacca. Ela consiste básicamente em dizer algo totalmente sem sentido e tirar o foco daquilo que real esta sendo discutido. Acredite, isso é utilizado muito mais do que você imagina.

Argumento Cabelinho

Consiste em ignorar o assunto em questão e simplesmente ofender seu adversário, chamando atenção para algum defeito ou falha moral dele. Em qualquer outro ambiente tal deselegância seria um atestado de derrota intelectual, mas na internet é simplesmente um jeito de mostrar que além de você ter razão, seu adversário é um panaca.

Tu podes falar o que quiser sobre a minha religião, mas pelo menos eu não saio pra rua com esse teu cabelinho ai.

Vencendo por W.O.

Na internet funciona assim: o último a falar está na frente, não importa a força ou valor do argumento ou todo o desenrolar da discussão até então. Se por acaso um dos interlocutores se calar ou cansar de toda essa bobagem, ele perdeu. Sempre. Calar-se é consentir com a derrota.

Inclusão alfabética

By , 28/09/2009 11:02 pm

Acho a inclusão digital essencial para gerar novas oportunidades, tanto culturais, quanto de emprego. Parece-me, no entanto, que ela tem sido feita às pressas, muito antes de outra inclusão ainda mais importante: a inclusão cultural, que me permito chamar de “inclusão alfabética”.

Basta alguns minutos navegando aleatoriamente por algumas redes sociais como Orkut, para encontrar todo tipo de frases e palavras que, com certeza, não pertencem à língua portuguesa. Alguns dos erros são tão grotescos que indicam duas coisas: as pessoas não dão a mínima para qualidade de seus textos e ninguém usa o auto-corretor do Word.

Pode parecer retrógrado da minha parte, mas acho que traria muito mais benefícios para a sociedade incentivar as pessoas a lerem mais livros do que acessar mais a internet.

A ignorância alheia, somada à falta de noção e à alta exposição das redes sociais, permitiu a criação de sites de sucesso como “Pérolas do Orkut”, “Tolices do Orkut” e tantos outros que fazem chacota em cima da ignorância alheia.

Se você não acredita em mim, dê uma olhada no site “Palavra do Dia”, uma coletânea de algumas das “novas palavras” que podem ser encontradas na Internet.

O que eu perdi?

By , 28/09/2009 11:01 pm

Caso você tenha chegado ao planeta Terra hoje ou saído a pouco de uma caverna e gostaria de saber o que aconteceu na Internet nesses últimos anos, aqui vai um vídeo compilado para poupar seu tempo.

Agora que você sabe que não perdeu nada, pode desligar o computador e ler um livro.

A miopia dos jornais

By , 05/06/2009 9:52 pm

Em uma das minhas primeiras aulas na faculdade recebemos um texto chamado “miopia em marketing”. Na época eu sabia o que era miopia porque tinha 1,5 em cada olho, no entanto não fazia idéia do que realmente significava marketing.

O texto dava o exemplo de uma empresa que no inicio do século tinha como negócio a fabricação e prestação do serviço de bondes. Todo o investimento dessa empresa era centrado em criar bondes cada vez mais eficientes. Essa companhia era líder total de mercado, até que um belo dia inventaram o carro. O automóvel produzido em massa se tornou acessível e logo muito popular, e em pouco tempo a empresa de bondes faliu.

A moral da história era óbvia: eles fecharam as portas porque seu foco era no produto (bondes) e não em atender a necessidade do consumidor (foco no cliente). Todos que viviam de bondes quebraram. Sobreviveram aquelas empresas cujo foco era o “transporte de passageiros”, por não viverem de um conceito “engessado”, elas souberam se adaptar aos novos meios. O exemplo do texto parece até banal demais, mas algumas pessoas não aprenderam a lição.

Os jornais são as novas fábricas de bonde. O foco é vender jornais e não informação, eles continuam centrados no meio e não nos fins. À medida que a conexão a internet por banda larga ganha espaço, cada vez mais jornais fecham alguns com mais de 100 anos. Isso só acontece porque eles não estão preparados, nem tecnicamente, nem culturalmente, para atender um público que não procura informação pela primeira capa. A nova geração quer informação on demand, ela sabe o que quer e o quer imediatamente.

Post interessante: O problema do jornal online é que não serve nem pra limpar a bunda.

A crise da imprensa virá

Richard Gingras e a estrutura do noticiário na web

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