Sonegando até a morte
Ontem à noite jantei em um famoso estabelecimento de Porto Alegre. Na hora de pagar, minha conta fechou em 80 reais. Fui ao caixa e paguei com o cartão de crédito. Na minha nota veio escrito algo mais ou menos assim:
Duas cervejas = 10 reais
Valor pago= 80 reais
Troco = 70 reais.
Obviamente não recebi nenhum troco, pois eu paguei exatamente quanto consumi: 80 reais. Não houve nenhum “erro” por parte do caixa (que por sinal eu sei que é um dos donos do estabelecimento): foi um ato premeditado de sonegação fiscal.
Antes de tudo gostaria de deixar claro que não aprovo os ridicularmente altos e variados impostos brasileiros. Sou libertário e acredito em um governo mínimo que se abstenha ao máximo de legislar e deixe que o mercado se governe sozinho. Porém quando se estabelece regras ou elas são respeitadas ou revogadas.
Manobras de evasão fiscal prejudicam todos de duas maneiras bem claras:
1) Menos dinheiro é recolhido e revertido no bem estar social da comunidade (quando não é roubado pelos políticos, obviamente).
2) A competição justa com outros estabelecimentos é ferida, na medida em que, ao se privar de contribuir, os estabelecimentos que sonegam tem mais dinheiro em caixa, mais lucro para reinvestir no seu negócio e uma vantagem competitiva gigantesca sob aqueles que respeitam a lei.
Esse caso específico me chamou atenção e me deixou especialmente irritado, pois o estabelecimento me tornou cúmplice da mentira. A grande maioria dos restaurantes simplesmente não emite nota fiscal nenhuma (a não ser o mínimo para enganar o leão). Ao não receber uma nota e me esquecer de cobrar eu participo passivamente em uma omissão fraudulenta. Só que dessa vez fui envolvido ativamente em uma mentira.
Isso me irritou profundamente como consumidor, de maneira que vou formalizar uma denúncia e a partir de agora prestar mais atenção nas notas que recebo ou não nos estabelecimentos.









