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Sonegando até a morte

By , 23/10/2011 9:15 pm

Ontem à noite jantei em um famoso estabelecimento de Porto Alegre. Na hora de pagar, minha conta fechou em 80 reais. Fui ao caixa e paguei com o cartão de crédito. Na minha nota veio escrito algo mais ou menos assim:

Duas cervejas = 10 reais
Valor pago= 80 reais
Troco = 70 reais.

Obviamente não recebi nenhum troco, pois eu paguei exatamente quanto consumi: 80 reais. Não houve nenhum “erro” por parte do caixa (que por sinal eu sei que é um dos donos do estabelecimento): foi um ato premeditado de sonegação fiscal.

Antes de tudo gostaria de deixar claro que não aprovo os ridicularmente altos e variados impostos brasileiros. Sou libertário e acredito em um governo mínimo que se abstenha ao máximo de legislar e deixe que o mercado se governe sozinho. Porém quando se estabelece regras ou elas são respeitadas ou revogadas.

Manobras de evasão fiscal prejudicam todos de duas maneiras bem claras:

1) Menos dinheiro é recolhido e revertido no bem estar social da comunidade (quando não é roubado pelos políticos, obviamente).

2) A competição justa com outros estabelecimentos é ferida, na medida em que, ao se privar de contribuir, os estabelecimentos que sonegam tem mais dinheiro em caixa, mais lucro para reinvestir no seu negócio e uma vantagem competitiva gigantesca sob aqueles que respeitam a lei.

Esse caso específico me chamou atenção e me deixou especialmente irritado, pois o estabelecimento me tornou cúmplice da mentira. A grande maioria dos restaurantes simplesmente não emite nota fiscal nenhuma (a não ser o mínimo para enganar o leão). Ao não receber uma nota e me esquecer de cobrar eu participo passivamente em uma omissão fraudulenta. Só que dessa vez fui envolvido ativamente em uma mentira.

Isso me irritou profundamente como consumidor, de maneira que vou formalizar uma denúncia e a partir de agora prestar mais atenção nas notas que recebo ou não nos estabelecimentos.

cadê meu troco?

By , 18/07/2009 5:32 pm

Reproduzo a seguir a quase totalidade de um post que o Menezes fez em seu blog para depois tecer meus comentários:

Parece ser uma política do Nacional Supermercados arredondar para cima o preço na hora do pagamento. Não foi a primeira, mas talvez a décima vez que eles tentam levar 2 ou 3 centavos meus na hora do troco. Posso estar sendo maldoso, mas parece muita coincidência que eles sempre puxem o preço pra cima. Estou aberto a pequenas negociações na hora do troco, mas sair sempre perdendo é ridículo. Hoje o acontecido foi o seguinte:
As compras totalizaram R$ 8,23.
Dou uma nota de 10 e a caixa me diz:
- Oito e vinte cinco.
- Opa, acho que tenho moeda de 25 aqui. (Menezes facilitando o troco).
- Então olho para a tela do caixa e vejo o valor.
- Opa, mas na verdade é 8,23.
- Sim, mas é mais perto de 8,25 do que de 8,20.
- Ok, mas eu não vou pagar a mais – enquanto dava a moeda de 25 para ela.
- Mas eu não tenho 2 centavos para te dar – percebam a insistência.
- Então me dá 5.
E ela me deu 5 centavos.
Em algum momento dessa conversa, comentei que se a grana fosse pro salário da moça diretamente, possivelmente eu deixaria os centavos lá. Mas essa espécie de saque coletivo não faz nenhum sentido.
Pode ser um texto babaca e panfletário, mas a internet já é usada pra babaquices menos úteis. Então em verdade vos digo: briguem pelos seus trocos. Sem perder a calma, mas sem perder o dinheiro.
(…)

Logo após várias pessoas deixaram comentários nesse post, confirmando que isso é realmente uma prática do Nacional e que são constantemente vítimas desse micro-roubo. Nas palavras de Dodô:

Acabo de voltar do Nacional e me ocorrou o mesmo.
Comprei um tic-tac (R$ 1,18) e dei R$ 20,20.
Ela registrou no caixa como se eu tivesse dado R$ 20,18 e me deu de troco R$ 19.
Perguntei “e os dois centavos?”. A moça me olhou bufando e me devolveu 5 centavos.
Se não tem 2 centavos então cobre R$ 1,20 pelo produto e não R$ 1,18.

E os comentários foram se acumulando, mas um ali no meio me chamou especial atenção. Fernando Rossini disse:

Quando eu trabalhava em uma loja de tênis, contratei uma caixa que antes trabalhava no hipermercado Extra. Ela disse que a diferença de caixa era de aproximadamente 300 reais por dia. Agora façamos as contas. O Extra tem, em média, 50 terminais de caixa. 50 x 300 reais = 15.000 reais por dia!!!
Como a gente é bonzinho e imagina que nem todo dia tenha tantos idiotas no mercado, vamos reduzir este valor para a metade, R$ 7.500,00 diários de diferença. Isso, multiplicado pelos 30 dias do mês é igual a R$ 225.000,00 mensais!!!!
Acho que em apenas um mês, eles arrecadam em moedinhas que sobram (e consequentemente deve ser um dinheiro que não entra na contabilidade oficial e não paga imposto) o suficiente para pagar a folha salarial de todo o mercado durante o ano inteiro.

Particularmente acho os números dele totalmente exagerados, mas o raciocínio é bem interessante, ainda mais se levarmos em conta que todo esse valor provavelmente não deve ser declarado e entra no caixa livre de impostos. O dinheiro achacado de consumidores desatentos ou condescendentes todos os dias deve fazer alguma diferença no final do mês.

Moral da história: exija seus centavos de volta, não colabore com a malandragem do Nacional, que, baseado em todos os depoimentos que eu li, parece instruir seus caixas a se fazerem de loucos e roubarem centavo a centavo os clientes. Meu irmão sempre diz: “não é uma questão de dinheiro, é uma questão de princípio”.

Paguei quero troco!

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