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Lugares marcados

By Antonio, 12/10/2009 2:09 pm

Imagine nas Olimpíadas: como explicar a um sueco que ele pode vir comigo furar a fila porque “conheço uns caras ai…”? (via dado4314).

Só de pensar em entrar em uma fila já sinto uma sensação de asco. São tantas as técnicas que nós, brasileiros, encontramos para furá-las, que qualquer um que tente respeitá-las, inevitavelmente se sente um otário. Uma inversão total de valores. Há também outras variações do delito, como quando uma pessoa chega primeiro e “reserva” lugar para outras dez, que podem acabar nem vindo e seus lugares permanecerem marcados e sem uso.

Como não se pode esperar que as pessoas se eduquem em um espaço menor do que algumas gerações, o que nos resta é contar com o bom senso dos organizadores dos eventos, seja mandando os seguranças recolher da fila os furões ou, no caso dos cinemas, adotando uma medida simples: lugares marcados.

Eu gostava de ir às sessões de estréia dos filmes. Fui ao Star Wars Episódio um, Matrix e Senhor dos Anéis. Frustrei-me em todas. Eu sempre comprava ingresso com dias de antecedência para garantir meu lugar, mas ao chegar ao cinema meia hora antes da sessão, já podia vislumbrar filas que chegavam até a praça de alimentação.

Eu era um dos primeiros a comprar ingresso, mas estava fadado a sentar em um lugar ruim, porque algumas pessoas desocupadas já haviam acampado ali na entrada onde se iniciaria a fila (mesmo eu tendo comprado o ingresso antes delas). Depois vários conhecidos dessas pessoas iriam se infiltrar ao lado de seus amigos na minha frente. Para fechar com chave-de-ouro, os primeiros a entrarem na sala, costumavam correr e ocupar quantos bancos conseguissem, guardando lugar para seus amigos, que provavelmente ainda nem haviam comprado o ingresso.

Variações dessa barbárie acontecem com freqüência em todo tipo de espetáculo. Ontem finalmente eu tive uma experiência de primeiro mundo, que ressuscitou minha vontade de assistir filmes em público. Fui assistir à estréia de Bastardos Inglórios (violentíssimo, porém excelente filme), que iniciava às 23h10min no GNG Iguatemi. Comprei meu ingresso e da minha namorada pela internet às 19h, escolhi um daqueles lugares perfeitos, bem centralizados, daqueles que você só pega em uma sala vazia. Cheguei ao cinema às 23h, não tinha muita fila, mas não teria problema, pois eles disponibilizam um caixa apenas para retirada de tickets comprados pela internet. Minha namorada quis comprar uma água, então entramos no cinema 23h11min, inicio dos trailers, cinema cheio e nossos dois lugares lá no meio, vagos, apenas nos esperando.

Eu não precisava nem ter visto o filme, já tinha ganhado minha noite. É outro nível.

A última vez que eu tive uma experiência desse tipo, fora em um estádio de futebol. Sim, em um estádio de futebol, com lotação para sessenta mil pessoas. Cheguei 10 minutos antes do jogo e meu lugar estava me esperando. Obviamente não foi no Brasil, foi em Madrid, na Espanha, cidade que perdeu para o Rio de Janeiro na decisão final para sede olímpica de 2016. Estamos muitos anos atrás dos europeus no quesito organização e centenas no quesito educação. Temos sete anos para nos recuperar.

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