Posts tagged: filosofia

O universo e tudo mais

By Antonio, 07/08/2010 9:50 pm

Nas terças-feiras chuvosas gosto de refletir sobre a nossa insignificância perante o infinito do universo.

O ser humano é tão egocêntrico e centrado na rotina de seu dia a dia que provavelmente não aguentaria refletir sobre a verdade: somos insignificantes.

Não consigo encontrar palavras para descrever o quão pequeno o nosso mundinho é, por isso recorrerei a mais avançada e sofisticada tecnologia disponível na internet (desde 1995): o GIF animado.

O mestre Douglas Adams já havia capitado o efeito aterrador que o vislumbre do infinito teria na alma de pobres criaturas narcisistas. Em seu livro “O Restaurante no Fim do Universo” ele fala sobre o artefato mais temido e destrutivo da galáxia: O Vórtice da Perspectiva Total:

Quando você é posto no Vórtice, tem um rápido vislumbre de toda a inimaginável infinitude da criação, e no meio disso, em algum lugar, há um marcador minúsculo, um ponto microscópico colocado sobre outro ponto microscópico dizendo “Você está aqui.

Seria algo mais ou menos assim:

Porém, muitas pessoas interpretam tudo isso como um sinal da nossa importância, afinal de contas Deus nos criou a sua imagem e semelhança, Ele escolheu essa poeira azul no meio do nada para ser o repositório de seus pequenos clones.  As estrelas pequeninas a nossa volta para muitos definem nossas características e até nosso destino. Não podemos esquecer também dos alienígenas que cruzam toda a imensidão para deixar sinais em nossas plantações ou visitar a área 51.

Eu acredito em alienígenas. Seria extremamente improvável sermos os únicos moradores de toda essa vastidão. Claro que, seres vivos em outros planetas é uma coisa, serem vivos inteligentes é outra bem diferente e seres vivos inteligentes que viajam em discos e seqüestram nossas vacas é outra mais diferente ainda.

Ao invés de me sentir insignificante ou importante demais, prefiro apenas sentir. Não sei de onde vim, não sei pra onde vou, mas sei que estou aqui, então é melhor aproveitar e fazer o melhor possível enquanto ainda posso fazer algo.

E quando der tempo vou ler Cosmos, do Carl Sagan. Dizem que explica muita coisa.

Escatologia

By Antonio, 28/08/2009 8:21 am

Escatologia na teologia e na filosofia trata do fim do mundo ou dos últimos eventos da humanidade. Escatologia na biologia trata do estudo das fezes.

Devo concluir então que a humanidade vai acabar na merda?

Foi onde deu pra chegar de bicicleta

By Antonio, 28/08/2009 8:19 am

Eu sempre gostei de curtas, porque quando são bons, eles te deixam com um gostinho de quero mais e, quando são ruins, a frustração é breve. Dos Curtas Gaúchos transmitidos na RBS TV que eu assisti, o meu preferido foi sem dúvida o “Foi onde deu pra chegar de bicicleta”.

Eu queria falar um pouco a respeito e tecer alguns comentários, mas por mais breve que eu tentasse ser, provavelmente acabaria por contar toda a história. Não curto spoilers , portanto veja e, se quiser, comente.

A inevitabilidade da morte

By Antonio, 10/05/2009 10:36 pm

Ontem à noite enquanto jogava joguinhos no meu computador eu finalmente consegui compreender o que incomoda e consterna as pessoas em relação à morte. Sua inevitabilidade.

Desde que nascemos começamos nessa caminhada rumo ao fim, que apressada ou postergada encontra sempre o mesmo desfecho. Morte. Inevitável.

Para provar meu ponto, vou conduzir um pequeno exercício filosófico.

Imagine qual seria o posicionamento das pessoas se pudessem morrer e voltar instantaneamente.

Isso acontece exatamente desta maneira em um dos meus jogos favoritos o Team Fortress 2. Nesse jogo online de combate, os jogadores (todos controlados por pessoas reais), são divididos em dois times de soldados com o objetivo de dominar território inimigo. Durante a batalha sempre que um jogador morre, ele instantaneamente ressuscita no início do campo de batalha, geralmente sem nenhum tipo de penalização, podendo morrer infinitas vezes.

É de se imaginar que a morte (virtual, do personagem) não deveria trazer frustração ao jogador. Contrário a esse raciocínio, os desenvolvedores do jogo perceberam (através de pesquisas e análise de comportamento) que duas situações em que a morte ocorria eram especialmente desagradáveis para os jogadores:

1) Quando o jogador é abatido sem saber quem foi seu algoz. “De onde saiu esse tiro”.

2) Quando o jogador é morto por um oponente que ele não está combatendo diretamente. EX: “A” luta contra “B”, enquanto isso “C”, que não estava engajado com o combate, mata o “A”. “A” fica frustrado.

O que essas situações têm em comum? A sensação de inevitabilidade.

Na situação 1, a morte acontece sem aprendizado, visto que o jogador não compreende as circunstâncias de sua morte e nada pode fazer para que a mesma não volte a se repetir. Uma morte inútil.

No segundo caso, há interferência de uma força externa (como os acidentes e fatalidades que acontecem em nossas vidas). Por não estar engajado contra o terceiro adversário, o jogador estava fora de condições de evitar o acontecido. Inevitável.

Os desenvolvedores do jogo tomaram duas medidas para minimizar esses problemas. Para o caso 1 eles colocaram a “freeze cam”. Quando morto, a câmera (tele do jogador) automaticamente mostra o posicionamento do oponente que o derrubou, dando ao jogador a chance de sempre poder aprender com a sua morte, evitando que aquilo se repita eternamente.

Para resolver o segundo problema, foram retiradas armas de lançamento (granadas) e o poder dos famigerados franco-atiradores (snipers) foi limitado, obrigando o engajamento direto de maneira mais constante.

Resultado: menos frustração. Menos pessoas desistindo de jogar. Mais lucros.

Infelizmente nenhuma dessas técnicas são possíveis na vida real. Não ganhamos uma segunda chance e não estamos salvos de agentes terceiros. Resta-nos fazer certo de primeira e aproveitar ao máximo enquanto estamos aqui. Aceitar a inevitabilidade é livrar a morte de todo o seu peso.

Memento mori.

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