Posts tagged: drogas

Em uma cidadezinha pacata.

By Antonio, 08/02/2010 12:40 pm

Desde que o lasier Martins foi eletrocutado pelas uvas eu não assistia a uma reportagem tão engraçada. Digna de um daqueles contos com reviravolta no final. Quem poderia adivinhar o que estava por tras do sossego daquela cidadezinha tão pacata.

http://www.youtube.com/watch?v=5LXEV9tshWQ

Sociedade anabol

By Antonio, 28/05/2009 5:53 pm

“Os anabolizantes, ou esteróides androgênicos anabólicos, são hormônios sintéticos que estimulam o desenvolvimento de vários tecidos do corpo a partir do crescimento da célula e sua posterior divisão. Apesar de serem utilizados no tratamento de algumas doenças, os anabolizantes são utilizados em grande quantidade por pessoas que desejam aumentar o volume dos músculos e a força física.”

Bela definição. Essa é apenas uma das várias descrições possíveis de se encontrar em livros ou na internet e apesar de ser razoavelmente neutra, a palavra anabolizante soa para o público em geral como algo pejorativo, perigoso, normalmente vinculado a pessoas de porte físico desproporcional ou trapaceiros olímpicos.

A mídia adora demonizar a utilização desse tipo de artifício, tanto na prática recreativa (academias) quanto em competições esportivas. O uso e venda é restrito no Brasil e em países como Estados Unidos é proibido, sendo tratada praticamente como cocaína.

O ser humano teme aquilo que desconhece na mesma medida em que não quer ouvir sobre aquilo que teme. Proponho pensarmos um pouco sobre o tema a fim de observar se todo esse ódio tem razão de ser.

Motivos clássicos para banir anabolizantes: 1) Fazem mal para saúde. 2) Tornam a prática esportiva perigosa 3) Permitem o atleta atingir um desempenho “não natural”. 4) O uso em competições é pura trapaça.

Fazem mal para saúde.

Tenho certeza que em doses erradas e mal administradas eles causam danos para a saúde. Como ferramenta para essa reflexão vamos assumir que qualquer dose, em qualquer situação, traga prejuízos e assim sendo iremos pensar que temos ótimo motivo para proibir o consumo. Não sei quanto a vocês, mas eu conheço outra substância que consumida em qualquer quantidade, faz mal para seu usuário. Tal substância mata mais que munição, mais que guerra. O cigarro vicia e mesmo assim é vendido em qualquer esquina. Temos também o álcool, que vicia e em doses grotescas faz muito mal. Alguns vão alegar que se consumido em doses homeopáticas (um cálice antes de dormir) pode até fazer bem, mas estatísticas de morte proveniente de abuso do álcool mostram o contrário. Ok, fazer mal para saúde nunca foi motivo para se proibir nada no nosso mundinho.

drogas

Tornam a prática esportiva perigosa.

Já ouvi falar de pessoas enfartando em academias (algumas aliás, já estão até equipadas com desfibriladores portáteis. Já ouvi falar de músculos se rompendo ou ossos não aguentando a pressão. Parece-me que algo assim não deva ser permitido. Infelizmente seguindo esse raciocínio existe uma série infindável de esportes que também não deveriam ser praticados.

esporte

Permitem o atleta atingir um desempenho não natural.

Glóbulos vermelhos (GV). Eles transportam oxigênio pelo sangue e quanto maior for a quantidade de GV no sangue, mais oxigênio correrá nas veias e maior será a resistência do atleta. Essencial em qualquer esporte, principalmente numa competição de ciclismo como o Tour de France, na qual os atletas pedalam por centenas de quilômetros durantes dias de prova. Uma rápida pesquisada na internet e é possível levantar quatro técnicas para aumentar drasticamente a quantidade de GV no sangue. 1) Dormir em uma tenda de altitude, que retira o oxigênio do ambiente, simulando uma noite no topo da montanha e forçando o seu corpo a produzir mais GV. 2) Dar uma passadinha no Andes (Peru ou Bolívia), mesmo princípio da tenda de altitude, só que sem tenda. 3) Retirar sangue uma semana antes da competição e inseri-lo de volta um dia antes da prova. 4) Tomar um remedinho que tem o mesmo efeito dos anteriores. Acontece que desses quatro métodos apenas dois são ilegais.

vermelhas

A justificativa talvez seja por serem intervenções “artificiais”. Ok, então por que, por exemplo, uma operação oftalmológica para corrigir miopia não seria? Exagero meu? Talvez, mas o fato é que Tiger Woods fez exatamente isso, ficando com uma visão de 20/15 (praticamente um olho biônico), em um esporte em que a noção de profundidade é um dos fatores mais importantes.

Pura trapaça

Meu argumento predileto. Qualquer um que já tenha jogado Truco Gaudério sabe que não é trapaça se todos trapaceiam. Pare e olhe um pouco para o seu dia a dia e você irá reparar na grande quantidade de competições nas quais os participantes utilizam de drogas para se favorecer. Talvez você até se reconheça em algum dos casos. Não me lembro, por exemplo, de ter sido realizado antidoping no meu vestibular (competição eliminatória para decidir quem irá ingressar na faculdade), mas lembro de alguns amigos meus que tomaram Ritalina para ajudar nos estudos, sem falar em algumas pessoas mais nervosinhas que também tomaram calmantes para relaxar um pouco e ter tranquilidade para puxar todo o conhecimento na hora do teste.

competicao

Beta bloqueadores são clássicos no meio da música erudita, pois diminui o batimento cardíaco evitando o nervosismo e aumentando a concentração. Puro entretenimento? Não se for tomada antes de um teste para vaga em um conservatório. Em algumas profissões as drogas são praticamente obrigatórias, como pilotos de caça, que precisam voar horas a fio. Nesse meio, speed e GO-pills são com um Nescau no café da manhã: a energia que dá força. Astronautas, cada minuto no espaço representa milhões de dólares em investimentos e muita dor. Anfetamina, calmante, painkiller. Um atrás do outro. Um diferencial para o profissional nessas áreas deve ser justamente ser compatível com tantas drogas.

Existe uma última crítica: a soma de todos os males.

O esteróide é o único exemplo citado que compreende todos os problemas levantados. Como resposta resta apenas o argumento Matanza: “minha vida é minha e a sua que se foda”. Que cada um faça o que lhe parecer melhor utilizando-se da liberdade, de informação para saber as consequências e para arcar com aquilo que elas possam trazer. Que as competições proíbam e punam, ou que liberem para todos. O importante é que os indivíduos não sejam controlados e que cada um decida os meios pelos quais quer se desenvolver.

Faltou o argumento sociológico, de que vivemos em uma sociedade competitiva, que não tolera perdedores e não tem vaga para o segundo colocado. Poderia ficar o dia inteiro dizendo o quanto somos compelidos a entregar os melhores resultados no matter what. Antes de julgar aquele bombado da academia, aquele caminhoneiro que matou todo mundo depois do quarto rebites ou aquele corredor trapaceiro, se pergunte: E você, já se dopou hoje?

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