Mas por quê?
A beleza da natureza não exige respostas.
A beleza da natureza não exige respostas.
Sempre que eu vejo um nascer do sol, inevitavelmente me lembro de um trecho do livro The Sheltering Sky de Paul Bowles. Eu não li esse livro, mas acabei conhecendo a passagem por ser ela o epitáfio no tumulo do Brandon Lee, filho de Bruce Lee, que morreu prematuramente em um “acidente” no set de filmagem do filme O Corvo.
(Tradução livre feita por mim)
Porque nós não sabemos quando vamos morrer, nós começamos a pensar na vida como um bem inesgotável. E, no entanto, tudo acontece apenas um certo número de vezes, e um número muito pequeno realmente. Quantas vezes mais você vai lembrar de uma certa tarde de sua infância, uma tarde que é tão profundamente uma parte do seu ser que você não pode sequer conceber sua vida sem ela? Talvez quatro, ou cinco vezes mais? Talvez nem isso. Quantas vezes mais você vai ver o nascer de uma lua cheia? Talvez vinte. E, no entanto, tudo parece infinito…
O Ciúme – Guilherme de Almeida
Minha melhor lembrança é esse instante no qual
Pela primeira vez me entrou pela retina
Tua silhueta provocante e fina
Como um punhal.
Depois, passaste a ser unicamente aquela
Que a gente se habitua a achar apenas bela
E que é quase banal.
E agora que te tenho em minhas mãos e sei
Que os teus nervos se enfeixam todos em meus dedos
Que os teus sentidos são cinco brinquedos
Com que brinquei;
Agora, que não mais me és inédita, agora
Que compreendo que tal como te vira outrora
Nunca mais te verei;
Agora que de ti, por muito que me dês,
Já não me podes dar a impressão que me deste,
A primeira impressão que me fizeste,
Louco, talvez,
Tenho ciúme de quem não te conhece ainda
E, cedo ou tarde, te verá, pálida e linda pela primeira vez.
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