A volta da insanidade
Antigamente as pessoas tinham seu acervo de livros e seu acervo de CDs (ou LPs). A proporção de CDs podia até ser maior, mas nada de muito desproporcional. Com o advento do MP3 e da transferência de dados entre usuários (popular pirataria), a balança de consumo livros x CDs mudou drasticamente.
Minha coleção de livros aumenta em uma média de 3 por mês (compro muito mais que leio, diga-se de passagem), enquanto que, graças à internet, posso aumentar meus CDs em 3 por dia, ou muito mais, se estiver com paciência.
Um dos motivos para pirataria desenfreada é com certeza o valor absurdamente alto de um CD, cerca de 30 reais. Se as gravadoras não tivessem por tanto tempo mantido a postura insana de combater o inevitável, talvez elas tivessem gerido melhor a situação. Uma demonstração de sanidade é o Itunes, que possibilita a compra de músicas por valores razoáveis (para os americanos pelo menos).
Hoje percebo que a indústria dos livros não aprendeu absolutamente nada com o fracasso da indústria da música. Com a popularização de Ipads, Kindles e assemelhados, a procura pela versão eletrônica de livros com certeza irá aumentar muito. Ao invés de aproveitar essa oportunidade para vender seus livros na versão eletrônica por um preço razoável, adivinhe o que estão fazendo:
Por que não cinco dólares? Por que vender o livro na versão digital por praticamente o mesmo preço do livro em papel?
Eu só posso acreditar que as editoras acabaram de chegar de outro planeta e não sabem o que aconteceu por aqui na ultima década. Estão lançando sobre si mesmas uma maldição. Logo, as pessoas vão passar livros digitais umas para as outras na mesma freqüência e facilidade com que o fazem com músicas hoje.
Quando isso acontecer, a única coisa a fazer será gritar com as nuvens.









