Sambarilove

By , 11/05/2009 10:51 pm

Pois estávamos eu, Bruno, Dodô e Juliana no fabuloso almoço na cantina, repercutindo alguma das mais importantes noticias do cenário macroeconômico mundial, tal como o fato do Mussunzinho ter engravidado a namorada.

Depois de alguns minutos o inevitável acontece, entramos na seção nostalgia. Serginho Groisman, Kiss sem fantasia, na cama com Gabi. Lá pelas tantas o Bruno solta um: Sambarilove.

Para quem viveu o inicio da década de noventa impossível não lembrar o personagem Armando Volta, da escolinha do professor Raimundo (Chico Anísio) . Ele era um dos poucos que sempre conseguia tirar dez, pois quando questionado sobre algo que não tinha resposta, aparecia com um presente para o professor, que prontamente deixava escapar uma pista que entregava a resposta.
Recordar é viver:

É fácil se divertir e até se identificar com esse personagem. Ele é a fotografia do povo Brasileiro. Ele e o professor Raimundo, diga-se. Enquanto o telespectador vai rindo, se perpetua aquilo que em nossa cultura chamamos carinhosamente (e alguns até com orgulho) do “jeitinho brasileiro”.

Ele não sabe a resposta, mas dá um agradinho, o professor alivia e todo mundo sai ganhando. Será?

O mal do Brasil começa nas pequenas atitudes do dia a dia. Na fila que furamos para entrar antes na festa. A multa de trânsito que recorremos pra não pagar.  Aquela vista grossa que fazemos quando nossos amigos pisam na bola. Aquela ligação para um conhecido da repartição pra ele “agilizar a papelada”.

Ao mesmo tempo que cometemos nossos pequenos pecados, vamos reclamando dos políticos, que compram castelos, desviam milhões e fazem a farra das passagens. Tentamos crer que políticos são uma raça a parte, que brotam do nada ou vieram de outro planeta. Esquecemos que os políticos são pessoas, que saíram do povo. Os políticos não são corruptos, os Brasileiros que são. Políticos Suíços não são corruptos porque os suíços não são.

O Brasil tem uma verdadeira democracia, porque aqui os políticos realmente representam seu povo, que não rouba mais porque não tem acesso, mas todo dia vai dando um “jeitinho” e levado a vida como pode.

No fim só nos resta dizer: Sambarilove.

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5 Responses to “Sambarilove”

  1. Gabriel says:

    Concordo em gênero, número e grau. Tu usou exatamente o exemplo que sempre uso: o cara que fura a fila é tão corrupto quanto o que desvia 30 milhões, a diferença é que um tinha uma fila à sua frente, o outro, os milhões. As vezes sinto que possuimos um quê de mentalidade colonizadora, de “pega o que puder que nessa terra tudo está disponível à quem pegar primeiro!”, como se o país inteiro estivesse alagado e enquanto uns lutam para salvar a família de se afogar, a maioria se empenha em saquear as lojas e aproveitar para pegar o que der.

    Nada me irrita mais do que o “jeitinho brasileiro”…. e mais me irrita ainda saber que ninguem, absolutamente ninguem nesse país, está livre de pensar sob essa ótica.

    Buenas, ótimo post mais uma vez, já tenho vindo tanto aqui que vou adicionar nas minhas feeds.

    Abraço!

  2. Bruno Galera says:

    Severino Cavalcanti presidente. Rei du mew BraZiU.

  3. joao~grando says:

    É preciso associar malandragem ao ridículo, sem isso nunca nos livraremos deste mal.

  4. [...] Evite a todo custo utilizar-se do “jeitinho brasileiro”, aquela malandragem e malevolência que todos nós temos e faz com que tendamos a burlar as [...]

  5. [...] tipo que só acredita em ética quando tem alguém olhando, mais um brasileiro típico que vive do sambarilove, mas reclama que os políticos são [...]

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