Ode à publicidade.
Dizem que a primeira profissão do mundo foi a de prostituta. Se isso for verdade, então a segunda profissão foi a de publicitário, porque também nasceu ali a necessidade de se vender um serviço, comunicar aos futuros clientes.
Necessidade. Essa palavrinha foi alvo de muitas discussões enquanto eu cursava PP (Publicidade e propaganda e não Pó e Putas). Muitos dizem que a propaganda cria necessidades nas pessoas, mas eu discordo. Acho que as necessidades humanas são as mesmas há milhares de anos. O que a publicidade faz é simplesmente canalizar essa necessidade em direção a uma solução que possa supri-la. Geralmente a do solucionador que paga a conta.
Já posso até ouvir alguém no fundo da sala dizendo: “aaaaa, mas antigamente ninguém tinha necessidade de um tênis Nike ou um Ipod e hoje tem gente matando por isso”. Esse tipo de pergunta demonstra apenas que as pessoas não entendem quais são as reais necessidades. Quando um cidadão compra um Nike (ou qualquer produto de luxo ou “da moda”) ele não está suprindo a necessidade de ter aquele bem específico, ele está suprindo a milenar necessidade de se enquadrar no grupo social em que ele está inserido. Pode parecer bobagem, mas há milhares de anos, no meio da selva, ser ignorado pela tribo e cair no ostracismo significava não ter ninguém para lhe ajudar a se proteger quando, digamos, uma onça ou um dinossauro atacasse. A necessidade sempre existiu, foi perpetuada durante milhares de anos e hoje continua de modo que a propaganda ajuda (nem sempre da maneira mais ética) a encontrarmos as soluções para nossas reais necessidades.
O primeiro livro que eu li sobre o mundo da PP foi “Criação sem pistolão” de Carlos Domingos. Minha mãe me deu esse livro depois que eu passei no vestibular. Na epigrafe de seu livro ele escreve uma constatação simples, mas genial:
“(…) Dizem que a máquina vai substituir o homem.
Mas nunca um criador publicitário.
Afinal, uma maquina não recebeu presente chato da tia,
não teve frieira no pé, não ficou excitado de sunga, nunca teve
vergonha do peito pequeno Uma maquina não vive.
E vida é a matéria-prima da propaganda.”
Por tudo que se fala mal da publicidade e do capitalismo, eu faço deste post uma homenagem a segunda profissão mais antiga do mundo, com a certeza de que ela nunca vai desaparecer enquanto existir pelo menos duas pessoas no planeta.
Sites legais: Brainstorm9, Desencannes, Piores Briefings do Mundo.







