A inevitabilidade da morte

By , 10/05/2009 10:36 pm

Ontem à noite enquanto jogava joguinhos no meu computador eu finalmente consegui compreender o que incomoda e consterna as pessoas em relação à morte. Sua inevitabilidade.

Desde que nascemos começamos nessa caminhada rumo ao fim, que apressada ou postergada encontra sempre o mesmo desfecho. Morte. Inevitável.

Para provar meu ponto, vou conduzir um pequeno exercício filosófico.

Imagine qual seria o posicionamento das pessoas se pudessem morrer e voltar instantaneamente.

Isso acontece exatamente desta maneira em um dos meus jogos favoritos o Team Fortress 2. Nesse jogo online de combate, os jogadores (todos controlados por pessoas reais), são divididos em dois times de soldados com o objetivo de dominar território inimigo. Durante a batalha sempre que um jogador morre, ele instantaneamente ressuscita no início do campo de batalha, geralmente sem nenhum tipo de penalização, podendo morrer infinitas vezes.

É de se imaginar que a morte (virtual, do personagem) não deveria trazer frustração ao jogador. Contrário a esse raciocínio, os desenvolvedores do jogo perceberam (através de pesquisas e análise de comportamento) que duas situações em que a morte ocorria eram especialmente desagradáveis para os jogadores:

1) Quando o jogador é abatido sem saber quem foi seu algoz. “De onde saiu esse tiro”.

2) Quando o jogador é morto por um oponente que ele não está combatendo diretamente. EX: “A” luta contra “B”, enquanto isso “C”, que não estava engajado com o combate, mata o “A”. “A” fica frustrado.

O que essas situações têm em comum? A sensação de inevitabilidade.

Na situação 1, a morte acontece sem aprendizado, visto que o jogador não compreende as circunstâncias de sua morte e nada pode fazer para que a mesma não volte a se repetir. Uma morte inútil.

No segundo caso, há interferência de uma força externa (como os acidentes e fatalidades que acontecem em nossas vidas). Por não estar engajado contra o terceiro adversário, o jogador estava fora de condições de evitar o acontecido. Inevitável.

Os desenvolvedores do jogo tomaram duas medidas para minimizar esses problemas. Para o caso 1 eles colocaram a “freeze cam”. Quando morto, a câmera (tele do jogador) automaticamente mostra o posicionamento do oponente que o derrubou, dando ao jogador a chance de sempre poder aprender com a sua morte, evitando que aquilo se repita eternamente.

Para resolver o segundo problema, foram retiradas armas de lançamento (granadas) e o poder dos famigerados franco-atiradores (snipers) foi limitado, obrigando o engajamento direto de maneira mais constante.

Resultado: menos frustração. Menos pessoas desistindo de jogar. Mais lucros.

Infelizmente nenhuma dessas técnicas são possíveis na vida real. Não ganhamos uma segunda chance e não estamos salvos de agentes terceiros. Resta-nos fazer certo de primeira e aproveitar ao máximo enquanto estamos aqui. Aceitar a inevitabilidade é livrar a morte de todo o seu peso.

Memento mori.

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One Response to “A inevitabilidade da morte”

  1. Missel says:

    Ae cara.. mutio legal o texto.

    vou bolar alguma coisa e colocarei no ar em breve…

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