Memento

Comentários provocativos e observações irônicas sobre fatos do dia-a-dia.

Todas as suas bases são pertencem a nós!

Na época em que memes ainda não se chamavam memes e espalhavam-se apenas por e-mail recebi essa pérola sem nenhum sentido.

Não entendi exatamente o que significava, mas adorei devido a bela estética.Passado alguns anos finalmente descobri qual era o sentido daquelas frases que não faziam o menor sentido ao serem traduzidas.

Um fenômeno lindo chamado Engrish: resultado de traduções feitas às pressas, ou de maneira automatizada, geralmente por falta de orçamento no fim de um projeto ou simplesmente por falta de atenção. No caso a cima, uma tradução do jogo Zero Wing produzido originalmente para o mercado japonês e traduzido na correria para ser exportado para os Estados Unidos.

Obviamente ele não foi o único.

A winner us you!

Assim como uma pessoa pode virar homem-mosca ao tentar ir do ponto A ao ponto B, muita coisa pode virar piada ao tentar ir do Ocidente para o Oriente.

Engrish in the Bahamas engrish2 engrish1

Erros de tradução acontecem o tempo todo. Às vezes expressões em uma determinada língua são difíceis de explicar até mesmo para aqueles que compartilham o mesmo idioma.
Mesmo feitas profissionalmente, traduções para legendas de filmes, por exemplo, acabam contendo erros. Em alguns casos legendas amadoras, feitas por fãs costumam ser de maior. Percebo erros principalmente em seriados, onde as traduções de algumas expressões mudam de temporada para temporada ou varias “piadas internas” que se perdem no processo.

Dentre a base de fãs, nenhuma é tão fanática quando a de Animes. Nada sei de japonês e apesar de gostar, não tenho muitas referencia no mundo das animações japonesas a ponto de poder criticar ou elogiar. Encontrei (mentira, o Hann encontrou) um pequeno documentário feito sobre o assunto, que me pareceu deveras interessante.

Ainda assim, podia ser pior, podia ser dublado.

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Lei de acesso à informação

“É a obrigação dos jornais imprimir as notícias e tocar o terror” – Disse Wilbur F. Storey em 1861 ao falar dos objetivos do Chicago Times. Ou a mídia é oposição ou ela é parte do problema, ou os veículos de comunicação investigam e escrutinam ao máximo todas as atividades do estado ou uma ditadura democrática se torna cada vez mais factível.

Não é mera coincidência que qualquer golpe de estado é seguido do cerceamento dos meios de comunicação e fechamento de círculos acadêmicos e intelectuais de oposição (faculdades de filosofia são sempre as primeiras a cair).

Nada pode ser mais absurdo do que a criação de novos meios de comunicação em rádio ou TV estarem sujeito a concessão estatal. É como se os lobos escolhessem as armas com as quais os cordeiros podem se defender.

O sistema funciona apenas para servir os interesses do próprio sistema e assim leis são criadas para satisfazer os interesses dos que investiram na sua criação (geralmente financiando políticos ou fazendo lobby, vide mercado imobiliário brasileiro). É a mão visível do governo impedindo a mão invisível do mercado de trabalhar.

Para minha surpresa ano passado foi finalmente regulamentada a lei mais óbvia do mundo: Acesso à informação. Todo cidadão pode requerer do governo qualquer informação de como está sendo gasto nosso rico dinheirinho, assim como resultados e consequências de todas as ações de órgãos públicos. Nada mais obvio nada mais justo.

Para os jornalistas sem pautas, ABRAJI publicou uma lista de excelentes dados a serem levantados e investigados.

Enquanto o país ainda está em luto pela tragédia de Santa Maria darei vale a pena suscitar um exemplo prático que de certa maneira poderia ter ajudado a evitar a tragédia. Depois do desastre todas as autoridades públicas correram para verificar alvarás, licenças ambientais e planos de incêndio de casas noturnas ao redor do Brasil.

A obrigação pode até ser do governo, mas qualquer cidadão preocupado com a segurança, poderia a qualquer momento ter requisitado um parecer quanto ao estado da papelada de todos esses estabelecimentos. Visto que são informações geradas por órgãos da prefeitura e bombeiros elas estão à disposição de qualquer um.

O estado está acostumado a esperar as denuncias aparecerem no Fantástico para se mexer. O cidadão finalmente tem poder e é hora de exercê-lo com vigor. Não espere pelo jornal, você também pode tocar o terror.

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Reply Allpocalipse

E-mails podem ser enviados para mais de uma pessoa ao mesmo tempo, quiçá para milhares. Essas pessoas por sua vez têm basicamente três opções: Não responder, Responder para quem enviou ou responder para todas as pessoas copiadas no comunicado.

Essa ultima opção se chama Responder a todos, ou em inglês Reply All.

Reply to all

Qualquer um que faça parte de uma lista de distribuição de e-mails suficientemente grande corre o risco de um dia ter que enfrentar um Reply-allpocalypse. Se você trabalha em uma empresa com mais de 10 mil funcionários ou estuda em uma universidade as chances são grandes.

O evento se inicia quando uma pessoa desaviada envia uma correspondência eletrônica para um grande numero de pessoas ao mesmo tempo de uma maneira que todos os destinatários fiquem visíveis aos outros usuários. Se esse e-mail requerer uma resposta o desastre está feito.

Várias pessoas começam a responder para todos na lista e as caixas de entrada são bombardeadas de textos cuja resposta só interessa ao remetente. Algumas pessoas ficarão indignadas, pedirão para ser retiradas da lista de distribuição e o farão mantendo todas as pessoas em cópia, ou seja, mais lixo empilhando na caixa de entrada. Imediatamente surgirão indignados com a burrice alheia que, através do “responder para todos”, implorarão para que as pessoas parem de enviar e-mails para todos.

Passado alguns minutos ou até horas, muitas pessoas terão perdido sua sanidade e tratarão tudo como uma grande gozação, dando reply all com piadas, fotos e coisas sem sentindo.

Atenção. Nada de bom acontece ao se apertar "responder a todos".

Atenção. Nada de bom acontece ao se apertar “responder a todos”.

Em um ponto o reply-allpocalypse se assemelha muito a um apocalipse de zumbis: depois de iniciado é quase impossível de conter. Se sobrar apenas um zumbi, ele tem capacidade de começar a infestação outra vez. O mesmo vale para o problema aqui descrito: depois de algumas horas onde quase todo mundo já respondeu o e-mail e a onda de insanidade esta perdendo força, irá aparecer alguém que ainda não tinha visto a caixa de correspondência. Essa pessoa irá pegar o primeiro e-mail e responder para todos e começar tudo outra vez.

Assim como uma cidade infestada por mortos-vivos cuja solução mais pratica, pelo menos em muitos filmes, é simplesmente terraplanar o lugar com uma bomba atômica, no casso do desastre dos e-mails, o melhor a se fazer é pedir para alguém da TI deletar tudo diretamente dos servidores.

Se um dia você passar por isso, meu conselho é o seguinte: crie uma regra no seu programa de e-mail para automaticamente enviar tudo para o lixo ou então corra, se esconda e atire sempre na cabeça.

Casos reais:

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Aulas de Religião

Sou a favor de aulas de religião em todas as escolas. Sou contra aulas que abrangem uma só doutrina, isso seria apenas proselitismo.

Nada produziria mais ateus do que uma aula ampla sobre as diferentes crenças existentes no mundo. Uma classe que se limitasse a falar das histórias e fatos dos principais credos do planeta, comparando suas ideias, valores e falando de seus conflitos.

A primeira coisa que ficaria evidente é que na maioria das vezes a escolha da denominação não passa de um acidente geográfico. Basicamente você tenderá há acreditar naquilo que se acredita em seu pais, independentemente dos reais méritos teológicos de seu culto.

Religiões: um acidente geográfico

Religiões: um acidente geográfico

A segunda constatação óbvia: Não é possível todas as religiões estarem corretas a respeito de seus dogmas, pelo menos não ao mesmo tempo.  Várias delas têm visões opostas ou contraditórias sobre o mesmo tema, portanto para que uma esteja certa é preciso que muitas outras estejam erradas.

 

Somando o argumento do acidente geográfico, com a incompatibilidade de crenças entre as religiões, a chance é de que nesse momento você provavelmente está torcendo pela causa errada.

No fim mesmo os religiosos são todos ateus, pelo menos em relação aos deuses dos outros. Em geral não é todo mundo que realmente acha que Apolo existe, ou Baal, ou Odin, ou o Monstro do Espaguete Voador.

Quanto aos conflitos, guerras e mortes em nome da fé, provavelmente seriam necessárias várias e várias aulas apenas para listá-las, pois se estendem do inicio da civilização até os dias de hoje. Provavelmente foram mortas mais gente em nome de deuses do que por qualquer outra razão.

Não é só através da guerra que as superstições continuam matando. Quando o representante máximo de uma determinada crença visita países africanos, onde milhares de pessoas são dizimadas pela AIDS todos os anos e se opõe ao uso da camisinha ele mata mais que uma bomba atômica.

Para ser justa a aula deveria também contemplar todas as coisas boas feitas pelas organizações. Tanto cultural, social e artisticamente os coletivos de fé contribuíram para avanços essenciais. Devemos, porém, deixar claro que nenhuma religião detém monopólio sobre o bem ou sobre o que é certo (apesar de várias fazerem tal afirmação).

Durante sua vida como debatedor, Christopher Hitchens sempre propôs o seguinte desafio para as autoridades religiosas: “Cite uma ação ou comportamento moral ou ético realizado por um crente que não pudesse ser realizado por um ateu”. Nunca obteve uma resposta.

Voltando as aulas de religião: Se deixada livre para explorar, as crianças, curiosas e sagazes, vão conseguirem concluir sozinho o que é melhor para elas. A única razão pelo qual uma criança se deixa converter é a pressão de seus pais e de sua comunidade. Não existe tal coisa como uma criança cristã ou criança muçulmana, assim como não existe uma criança republicana ou comunista. Elas são apenas filhas de pais cristãos ou filhas de pais comunistas.

No fim das contas, em frente de todas as evidencias e fatos e sem alguém obrigando a criança a tomar uma decisão, tenho certeza que ela vai crescer e perceber que assim como Papai Noel, deus não existe.

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Grátis

Grátis é um conceito muito estranho e às vezes até difícil de abstrair. O que é grátis custa zero, que por sua vez é algo que não é, ou se é, então é composto por nada. Tal tópico foi muito debatido pelos filósofos gregos que como sempre não concluíram nada.

Grátis é usado com a mesma grafia e pronunciado de maneira semelhante nos Países Baixos. Fato estranho, visto que a língua deles nada tem haver com Latim. Em Amsterdã ouvi certa anedota de que os holandeses, um povo cujo alicerce é o comercio, nunca tinha ouvido falar de tal conceito (algo que não custe nada) e, portanto, não tinham em seu idioma nada que designasse tal ideia. Foi do contato com os portugueses, com quem disputavam varias rotas comerciais marítimas, que ficaram sabendo de tal possibilidade e por isso a palavra utilizada lá, até hoje, é a mesma que em Portugal e consequentemente no Brasil.

ompanhia Holandesa das Índias Orientais

Estaleiro da Companhia Holandesa das Índias Orientais, circa 1750

Digo que é anedota porque não fui capaz de encontrar absolutamente nenhum fato que comprove tal possibilidade. Mesmo podendo ser mentira, pelo menos é uma excelente história e em se tratando de narrativas, a verdade é sempre supervalorizada.

A questão é que além de conceitualmente bizarro o “grátis” tem um poder quase paranormal sobre nossas mentes e é capaz de fazer com que tomemos decisões previsivelmente irracionais.

Dan Ariely, em um de seus experimentos, oferecia dois chocolates: um de baixa qualidade por 1 centavo e um excelente chocolate belga por 30 centavos (ambos extremamente baratos comparado ao valor de mercado). As pessoas só podiam escolher e adquirir um deles. A esmagadora maioria obviamente optou pelo chocolate Belga.

Com um segundo grupo ele passou a ofertar a primeira opção como Grátis e a segundo por 29 centavos. Ambos continuavam com exatamente a mesma diferença de valor entre eles e apenas um centavo mais barato do que na experiência anterior. A grande maioria das pessoas agora passou a preferir o chocolate de baixa qualidade.

Eu particularmente sou da opinião que não existe Almoço Grátis. Na melhor das hipóteses “você” não está pagando, mas se algum valor foi gerado alguém necessariamente precisou investir tempo e recursos.

TANSTAFL

TANSTAFL – There ain’t no such thing as a free lunch

Mesmo uma moeda perdida no chão tem um custo: o custo de se abaixar para pegar. Pode parecer um argumento idiota, mas ele é calculável e a resposta é surpreendente. Na próxima vez que você achar uma moeda de um centavo no chão, se abaixe apenas se quiser fazer exercício, caso contrário estará perdendo dinheiro.

peny

Você acha que está lendo esse post “di grátis”, mas ele esta lhe custando um tempo precioso (mais a energia do seu computador, internet, ect) que poderiam ser bem melhores investidas em outros lugares na Web.

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